Se eu tivesse que apontar o maior segredo de um currículo de designer UX voltado para o mercado internacional, seria: o recrutador analisa seu currículo em apenas 6 segundos. É esse o tempo que você tem para conquistar, instigar e ser lembrado. Parece pouco? É a realidade das seleções para vagas em dólar ou euro, que vejo diariamente acompanhando profissionais pela Designer na Gringa. Por isso, neste artigo quero mostrar um passo a passo direto para remodelar seu currículo e causar impacto em poucos segundos, mesmo que você esteja começando agora. Esqueça aquela estrutura clássica. Em 2023 e adiante, o currículo do designer UX precisa de uma abordagem totalmente diferente.
Por que 6 segundos mudam tudo?
Em diversas mentorias que conduzo, percebo que muita gente subestima o peso dos primeiros segundos. É quando o recrutador busca nomes, cargos, empresas e sinais claros de valor. Ele não está lendo: está escaneando.
Seu currículo não é lido, é testado.
O segredo está em trabalhar para que, ao bater os olhos, ele encontre o que precisa, clareza, objetividade e, acima de tudo, relevância.
Como montar a estrutura certa em 2023
Se você quer disputar oportunidades reais, esqueça aquele modelo cheio de detalhes desnecessários. O formato que sugiro, e que tenho visto funcionar no exterior, é direto:
- Informações básicas no topo: nome, e-mail, LinkedIn, localidade e portfólio.
- Experiência: logo depois das informações, destacando o que há de mais relevante.
- Habilidades: seção enxuta, separada da experiência, com foco em soft e hard skills.
- Educação: último item, breve, citando curso e instituição apenas.
Troque o excesso de detalhes pela clareza. Currículo enxuto, de uma página. Informações fáceis de encontrar. Edição pesada. Importante: nada de deixar data de nascimento ou endereço completo. O foco é profissional.

Experiência: o que mostrar e como escrever
Essa é a parte mais escaneada e causa maior impacto. Não importa se você tem três meses ou dez anos, o padrão ideal é trazer até quatro experiências recentes e relevantes. Prefira projetos reais, mas projetos pessoais bem documentados também valem muito.
Para cada experiência:
- Dê o contexto: problema ou objetivo inicial do projeto.
- Resuma o que fez: método, papéis, técnicas aplicadas.
- Mostre o resultado: números, entregáveis, aprendizados ou impacto.
Evite frases genéricas como “Participação em projeto de redesign”. Use verbos de ação e dados concretos:
- “Pesquisei necessidades de 120 usuários, resultando em aumento de 30% na satisfação pós-projeto.”
- “Conduzi 5 testes de usabilidade, reduzindo tempo de cadastro em 40%.”
- “Desenvolvi protótipos em Figma para solução mobile com 3 fluxos principais.”
Projetos pessoais contam, desde que você detalhe seu processo e resultados. O que vale é mostrar como você pensa e resolve problemas reais de design.
Não tenho experiência real em UX, e agora?
Já vi muita gente travada aí, não ter cases pagos ou de empresas grandes não impede ninguém. Recomendo muito usar projetos pessoais ou estudos de caso, feitos por interesse próprio, bootcamp ou desafios. Explique:
- Qual problema/desafio resolveu;
- Por que escolheu esse recorte;
- O passo a passo até a entrega final.
Um exemplo: “Desenvolvi estudo pessoal para melhorar a experiência de login em app de saúde. Analisei reviews, fiz mapa de jornada, propus novo fluxo. Apresentei os resultados no meu portfólio.” Quem lê percebe seu comprometimento.
Como escolher e destacar habilidades
Firmado o seu espaço nas experiências, hora de organizar as habilidades. Na área de UX, é esperado ver tanto as habilidades técnicas quanto aquelas ligadas à colaboração.
- Ferramentas: Figma, Sketch, Adobe XD, Miro, Jira, etc.
- Processos: pesquisa com usuários, wireframes, prototipação, testes de usabilidade.
- Soft skills: comunicação, colaboração, resolução de problemas, escuta ativa.
Aqui, menos é mais: evite longas listas, prefira destacar até seis habilidades que realmente fazem parte do seu dia a dia. A área de habilidades “preenche” os 6 segundos com a sensação de que você sabe como entregar valor, trabalhar em equipe e lidar com realidades complexas.
Para aprofundar mais nessas soft skills, recomendo a leitura da seção de carreira da Designer na Gringa.
Educação: informação na medida certa
Educação vem por último, com poucas linhas. O que importa é: curso, instituição e período (apenas se relevante). Não precisa detalhar disciplinas, notas, nem fazer blocos longos.
Se você está migrando de área ou ainda cursando, pode incluir cursos livres, bootcamps e certificações, sempre com o foco no aprendizado aplicado ao UX. Tenho visto muitos recrutadores valorizarem trilhas de estudo prática, então cursos rápidos da área contam muitos pontos.
Conheça mais exemplos de jornadas de aprendizado na categoria de educação no Designer na Gringa, onde compartilho experiências diversas.

Quando destacar trabalho em equipe e habilidades humanas?
Muitas vezes, o que diferencia um currículo não é somente o domínio técnico, mas a capacidade de trabalhar em grupo, comunicar ideias e resolver conflitos. Se suas experiências anteriores não foram estritamente em UX, aproveite para mostrar habilidades interpessoais e aprendizados de projetos colaborativos. Exemplos:
- “Liderei discussão entre equipes de produto e marketing para alinhar entregas.”
- “Facilitei workshops de co-criação com stakeholders.”
- “Contribuí com feedbacks construtivos em projeto multidisciplinar.”
Até experiências de voluntariado, trabalhos acadêmicos ou freelancers, quando bem descritos, mostram como você aprende, se adapta e contribui para diferentes equipes. Isso aparece muito nas mentorias que compartilho no Designer na Gringa.
Layout que valoriza o conteúdo
Essa parte costuma gerar dúvidas, então deixo minha opinião direta: o currículo precisa ser simples, objetivo, de fácil leitura por leitores de PDF (ATS) e pessoas. Recomendo usar o Google Docs, com fundo branco, fonte preta ou escura e tamanho mínimo de 11pt. Nada de fontes coloridas, ilustrações gigantes ou gráficos decorativos. O destaque está no conteúdo, não em enfeites.
Currículo bom é currículo fácil de ler.
Evite margens exageradas e cuide para que tudo caiba em uma página só. Assim, você garante que as informações realmente serão vistas nos primeiros segundos. Para ver modelos desse tipo na prática, sugiro esta referência de estrutura enxuta: exemplo de currículo funcional.
Resumo: currículo de designer UX em 6 segundos
- Estrutura clara: informações básicas, experiência, habilidades e educação, nesse exato formato.
- Experiências focadas em impacto, com verbos de ação e dados concretos.
- Projetos pessoais bem descritos fazem peso igual aos reais, se contextualizados.
- Equipe, colaboração e soft skills valorizam ainda mais seu perfil.
- Layout limpo, objetivo, sem distrações visuais.
Começando por aqui, você já estará à frente da maioria dos currículos que analiso. E, claro, sempre recomendo revisitar exemplos e dicas práticas nos conteúdos da Designer na Gringa, como este case sobre currículos UX que publiquei recentemente.
Conclusão
Ao aplicar essas orientações, seu currículo de designer UX terá as melhores chances de causar boa impressão em poucos segundos, seja na Europa, América do Norte ou qualquer outro lugar do mundo. Compartilho isso pois vi profissionais transformarem suas oportunidades após pequenas mudanças no currículo, durante mentorias e masterclass oferecidas pelo Designer na Gringa.
Se você quiser aprofundar ainda mais sua carreira internacional, explore nossos conteúdos, conheça nossos serviços de mentoria e compartilhe suas dúvidas ou experiências nos comentários. Fazer parte da comunidade é sempre o melhor passo inicial para crescer e conquistar espaço global como designer.
Perguntas frequentes sobre currículo de designer UX
O que é um currículo de designer UX?
O currículo de designer UX é um documento profissional que destaca experiências, habilidades e formação voltadas para o design de experiência do usuário, mostrando sua capacidade de resolver problemas e contribuir para produtos digitais. Seu foco está em projetos práticos e no impacto gerado a partir das soluções desenvolvidas, mais do que apenas listar cargos ou certificados.
Como destacar meu portfólio no currículo?
Inclua o link do portfólio (preferencialmente no início do currículo), junto aos dados básicos. Indique casos específicos no portfólio que estejam relacionados às experiências listadas, mencionando brevemente quais projetos merecem atenção. Isso facilita para o recrutador transitar do currículo para a análise do seu trabalho real, algo que é muito valorizado no exterior.
Quais habilidades são mais valorizadas?
São valorizadas habilidades técnicas em ferramentas e metodologias de UX (como Figma, pesquisa com usuários, testes) aliadas às habilidades interpessoais, como boa comunicação, trabalho colaborativo e adaptabilidade. Mostrar domínio de processos e participação ativa em equipes multiprofissionais aumenta sua relevância em qualquer vaga internacional.
Preciso incluir experiências não relacionadas?
Inclua experiências não diretamente ligadas ao UX apenas quando trazem aprendizados relevantes, como liderança de equipes, projetos colaborativos ou práticas de escuta com clientes. O ideal é mostrar como essas experiências contribuíram para sua visão e atuação como designer, contextualizando sempre os aprendizados.
Como adaptar o currículo para vagas diferentes?
Ajuste sempre as experiências e habilidades apresentadas no currículo para se alinhar ao que cada vaga pede. Leia atentamente a vaga e destaque projetos e práticas que dialogam diretamente com aquela oportunidade. Uma dica é alterar o foco nos verbos, impactando logo nos primeiros segundos de leitura.
